Entendendo a Ataxia na Infância: Quando a Coordenação Motora é Afetada

Ataxia na Infância

Publicado em: 20 de março de 2025


A ataxia é um distúrbio neurológico caracterizado pela perda de coordenação motora, afetando o equilíbrio, a precisão dos movimentos e, em alguns casos, a fala. Embora seja frequentemente associada às doenças degenerativas em adultos, a ataxia também tende a se manifestar na infância, podendo comprometer o desenvolvimento motor e a qualidade de vida da criança.

O diagnóstico precoce e uma abordagem terapêutica multidisciplinar são fundamentais para otimizar as funções motoras e oferecer melhor suporte às crianças afetadas. Continue a leitura deste artigo e entenda melhor sobre as ataxias na infância e quando a coordenação motora é afetada.

O Que É Ataxia e Como Afeta a Coordenação Motora

A ataxia é um sintoma clínico decorrente de disfunções no cerebelo, a região do cérebro responsável pela boa coordenação dos movimentos voluntários, pelo controle postural e também pelo equilíbrio. Quando ocorre algum tipo de comprometimento dessa estrutura, a criança pode apresentar dificuldades na execução de tarefas motoras finas e grossas, tais como, caminhar, segurar objetos e articular palavras de forma fluida.

Essa condição pode se manifestar na forma de movimentos descoordenados, dificuldade em realizar atividades que exigem precisão e até mesmo na perda do controle muscular progressivo.

Em alguns casos, a criança pode ter dificuldade em manter uma postura estável, apresentar tremores ao tentar alcançar objetos e demonstrar insegurança ao realizar atividades cotidianas. Além disso, quadros mais graves dessa condição podem estar associados à instabilidade da marcha, aos tremores e movimentos involuntários descoordenados.

Principais Causas das Ataxias na Infância

A ataxia na infância pode ter diversas causas, sendo agrupadas, principalmente, em dois grandes grupos, as formas hereditárias e adquiridas, confira:

Ataxia Hereditárias

Ataxias hereditárias são causadas, muitas vezes, por mutações genéticas que podem comprometer o bom funcionamento do sistema nervoso. Entre os principais tipos estão:

  • Ataxia de Friedreich: um tipo de distúrbio neurodegenerativo progressivo associado às mutações no gene FXN, levando à degeneração de neurônios no cerebelo e na medula espinhal, afetando também o coração;
  • Ataxias Espinocerebelares (SCAs): um grupo de doenças genéticas raras e progressivas que afetam a coordenação motora, podendo estar associadas aos distúrbios cognitivos e psiquiátricos;
  • Ataxia Telangiectasia: doença genética autossômica recessiva que, além da disfunção causada no cerebelo, compromete o sistema imunológico e aumenta a predisposição às neoplasias.

Ataxias Adquiridas

As ataxias adquiridas podem surgir em decorrência de insultos neurológicos externos ou internos, incluindo:

  • Infecções virais e bacterianas: algumas infecções, como encefalite viral e meningite bacteriana, podem desencadear inflamação no sistema nervoso central, resultando em sintomas de ataxia;
  • Traumatismo cranioencefálico: lesões cerebrais traumáticas podem impactar diretamente o cerebelo e afetar o controle motor;
  • Doenças autoimunes: condições como esclerose múltipla e encefalomielite disseminada aguda podem provocar disfunções cerebelares;
  • Exposição a substâncias tóxicas: metais pesados, álcool e certas medicações podem desencadear a chamada ataxia tóxica em crianças predispostas.

Sinais Clínicos de Ataxia

Os sintomas das ataxias infantis podem variar em intensidade e progressão dependendo das suas causas subjacentes. Entre os sinais mais comuns da condição destacam-se:

  • Instabilidade ao caminhar (marcha atáxica);
  • Coordenação motora prejudicada para tarefas diárias, como segurar lápis;
  • Fala arrastada;
  • Dificuldade em realizar movimentos alternados rápidos;
  • Tremores e movimentos involuntários;
  • Fadiga e fraqueza muscular.

É fundamental que tanto pais quanto profissionais de saúde estejam atentos a essas manifestações, pois a identificação precoce da ataxia pode facilitar um diagnóstico mais preciso e permitir a implementação de estratégias terapêuticas adequadas para cada criança.

Diagnóstico e Tratamento da Ataxia na Infância

Diagnosticar a ataxia na infância requer uma abordagem clínica detalhada que pode combinar exames laboratoriais e também de imagem. Geralmente, o processo de diagnóstico podem incluir:

  • Histórico clínico e exame neurológico: avaliação dos sintomas motores e identificação de possíveis fatores genéticos ou adquiridos;
  • Ressonância Magnética (RM): exame fundamental para investigar alterações cerebelares e descartar outras condições neurológicas;
  • Testes genéticos: essenciais para confirmar ataxias hereditárias e orientar aconselhamento genético familiar;
  • Exames laboratoriais: investigação de causas metabólicas, inflamatórias e tóxicas associadas à ataxia adquirida.

O tratamento dessa condição varia de acordo com sua causa e gravidade do quadro clínico da criança. Embora algumas formas hereditárias sejam consideradas progressivas e sem cura, algumas intervenções podem ser capazes de melhorar as funcionalidades e a qualidade de vida do paciente, entre elas estão:

  • Fisioterapia neuromotora: fortalecimento muscular, reeducação postural e exercícios para aprimorar a coordenação motora;
  • Terapia ocupacional: auxílio no desenvolvimento de habilidades para atividades diárias e adaptação do ambiente;
  • Fonoaudiologia: tratamento para dificuldades na articulação da fala e deglutição;
  • Uso de dispositivos de assistência: andadores, órteses e adaptações ergonômicas podem facilitar a locomoção e a independência;
  • Tratamento medicamentoso: em certos casos, alguns medicamentos podem ser prescritos para o controle de sintomas específicos, como tremores e espasticidade.

Além disso, crianças com ataxia e suas famílias podem se beneficiar do suporte psicológico e acompanhamento multidisciplinar contínuo, garantindo uma melhor adaptação às limitações e promovendo um ambiente inclusivo para o desenvolvimento infantil.

Quando Procurar um Neurologista Infantil

É fundamental buscar ajuda de um médico neurologista especialista em Neuropediatria, ou Neurologia Infantil, quando perceber que a criança possui algum tipo de atraso no desenvolvimento motor, dificuldades persistentes na coordenação ou no equilíbrio, e alterações nas falas sem nenhuma outra explicação aparente.

Além disso, tremores, movimentos involuntários e dificuldade para caminhar são sinais que exigem uma avaliação médica. Se os sintomas forem progressivos ou estiverem associados ao histórico familiar de doenças neurológicas, a consulta deve ser realizada o quanto antes.

Se você precisa de auxílio com seu filho, não hesite em marcar uma consulta de avaliação com o Dr. Alulin Fonseca, um especialista em Neurologia Infantil que pode conduzir exames específicos para diagnosticar a condição e indicar o tratamento mais adequado para a criança.

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