Perda de Sensibilidade nas Mãos e nos Pés das Crianças: Como Identificar os Sinais da Neuropatia Sensitiva


Publicado em: 22 de outubro de 2026
A perda de sensibilidade nas mãos e nos pés das crianças pode passar despercebida, principalmente quando ela ainda não consegue explicar exatamente o que está sentindo. Dormência, formigamento, sensação de queimação ou dificuldade para perceber frio, calor e dor podem indicar uma alteração na forma como os nervos transmitem informações ao cérebro.
Quando esses sintomas são persistentes ou aparecem acompanhados de alterações na força, no equilíbrio ou nos movimentos, é importante investigar a possibilidade de uma neuropatia sensitiva. O diagnóstico precoce pode ajudar a identificar a causa e acompanhar possíveis alterações neurológicas, por isso, continue a leitura deste artigo e saiba mais sobre como identificar os sinais da neuropatia sensitiva em crianças.
A neuropatia sensitiva ocorre quando os nervos responsáveis por transmitir informações de sensibilidade apresentam alguma alteração. Esses nervos levam ao cérebro informações sobre diferentes estímulos, como:
Quando essa comunicação é prejudicada, a criança pode perceber determinadas sensações de maneira diferente ou até deixar de percebê-las. Dependendo dos nervos afetados, os sintomas podem aparecer, principalmente, nas mãos e nos pés, mas outras regiões também podem ser envolvidas.
Nem sempre a criança vai dizer que está “com perda de sensibilidade”. Dependendo da idade, ela pode descrever o problema de maneiras diferentes, pode dizer, por exemplo, que:
Crianças menores podem não conseguir explicar essas sensações. Nesses casos, mudanças no comportamento e nos movimentos podem ser pistas importantes para os pais.
Os sintomas dependem dos nervos envolvidos e da intensidade da alteração.
O formigamento é uma das manifestações que pode ocorrer quando existe alteração da sensibilidade. A criança pode reclamar que as mãos ou os pés estão “pinicando”, “dormindo” ou com uma sensação estranha, mesmo quando não houve uma causa evidente para isso.
Quando esse sintoma se repete ou persiste, merece avaliação.
A criança pode apresentar uma redução da capacidade de perceber o toque em determinada região. Isso pode aparecer de maneira gradual e ser percebido, inicialmente, em situações cotidianas.
Por exemplo, a criança pode não perceber adequadamente quando alguém toca seu pé ou sua mão.
Uma alteração sensitiva pode fazer com que a criança perceba menos determinados estímulos. Isso é especialmente importante porque a dor e a percepção de temperatura funcionam como mecanismos de proteção.
Uma criança que não percebe adequadamente que uma superfície está muito quente, por exemplo, pode se machucar sem reagir como seria esperado.
Algumas alterações dos nervos sensitivos podem provocar sensação de queimação ou dor mesmo sem uma lesão aparente na pele.
A criança pode reclamar que os pés ou as mãos “estão queimando”, principalmente em determinados momentos do dia.
Quando a sensibilidade está reduzida, a criança pode não perceber adequadamente pequenos machucados, cortes, bolhas ou queimaduras. Por isso, pais e responsáveis devem observar se existem lesões recorrentes nas mãos e nos pés que a criança não consegue explicar ou que parecem ter passado despercebidas.
Esse cuidado é ainda mais importante quando a criança apresenta uma doença neurológica ou metabólica já conhecida.
Alguns nervos sensitivos ajudam o cérebro a perceber onde cada parte do corpo está posicionada, mesmo quando não estamos olhando para ela. Essa informação é importante para coordenar os movimentos.
Quando essa percepção é prejudicada, a criança pode apresentar maior dificuldade para manter o equilíbrio, caminhar ou realizar movimentos que antes eram simples. Por isso, uma alteração de sensibilidade pode aparecer acompanhada de mudanças na maneira de andar.
Além das queixas de dormência e formigamento, os pais podem observar:
Esses sinais não significam necessariamente neuropatia. Porém, quando aparecem junto com alterações de sensibilidade, tornam a avaliação neurológica especialmente importante.
Uma neuropatia pode afetar predominantemente fibras sensitivas, mas algumas doenças dos nervos periféricos também comprometem fibras motoras. Nesse caso, além da alteração da sensibilidade, a criança pode apresentar fraqueza muscular.
Pode ficar mais difícil correr, subir escadas, levantar-se do chão, segurar objetos ou realizar movimentos que antes eram feitos normalmente. Quando a perda de sensibilidade e a fraqueza aparecem juntas, a investigação deve ser feita com atenção.
Algumas neuropatias são hereditárias, enquanto outras podem surgir em consequência de doenças, alterações metabólicas, deficiências nutricionais, infecções, processos inflamatórios, exposição a determinadas substâncias ou medicamentos, entre outras situações.
Entre as neuropatias hereditárias está a doença de Charcot-Marie-Tooth, um grupo de condições que pode afetar os nervos periféricos e causar alterações sensitivas e motoras. Existem também doenças metabólicas e genéticas raras que podem comprometer os nervos periféricos. Por isso, descobrir a causa é uma etapa fundamental da avaliação.
É importante evitar uma conclusão precipitada. Uma criança pode apresentar formigamento ou dormência ocasional por motivos simples, como permanecer muito tempo em determinada posição e comprimir temporariamente um nervo.
Nessas situações, a sensação costuma desaparecer depois que a posição é modificada. O que merece atenção é quando a alteração:
Nessas circunstâncias, é importante procurar avaliação médica.
A investigação começa pela história clínica. O médico irá procurar entender quando os sintomas começaram, quais regiões estão envolvidas, se são constantes ou aparecem em determinados momentos e se existem outros sinais associados.
Durante a avaliação, podem ser observados aspectos como:
Dependendo dos achados, outros exames podem ser necessários.
A escolha depende da suspeita clínica, o exame neurológico é fundamental, mas, em determinadas situações, podem ser solicitados exames de sangue para investigar causas metabólicas, nutricionais, inflamatórias ou outras condições que possam afetar os nervos.
A eletroneuromiografia também pode ser utilizada em casos selecionados para avaliar o funcionamento dos nervos periféricos e dos músculos.
Quando existe suspeita de uma condição hereditária, exames genéticos podem fazer parte da investigação. Não existe, portanto, um único exame capaz de diagnosticar todas as neuropatias sensitivas.
O tratamento depende, principalmente, da causa identificada. Quando existe uma condição de base que pode ser tratada, o controle dessa doença pode fazer parte da estratégia para preservar ou melhorar a função dos nervos.
Também podem ser necessárias medidas para controlar sintomas, prevenir lesões e preservar a mobilidade da criança. Em algumas doenças hereditárias, por exemplo, o acompanhamento pode envolver uma equipe multidisciplinar para monitorar a evolução e trabalhar aspectos motores e funcionais.
Enquanto a causa está sendo investigada ou quando a alteração sensitiva já foi diagnosticada, alguns cuidados podem ajudar a reduzir o risco de acidentes. Os pais podem observar regularmente mãos e pés em busca de:
Também é importante ter cuidado com água muito quente, superfícies aquecidas e objetos que possam provocar ferimentos.
A criança deve ser orientada, de acordo com sua idade, a avisar quando perceber uma sensação diferente ou identificar alguma lesão.
A avaliação com um neuropediatra pode ser indicada quando a perda de sensibilidade é persistente, recorrente ou está acompanhada de outros sinais neurológicos. Alguns sinais que merecem atenção incluem:
Uma avaliação precoce não significa que a criança necessariamente tenha uma doença neurológica grave. Os objetivos são entender a origem dos sintomas e identificar se existe alguma alteração que precise de acompanhamento.
A perda de sensibilidade nas mãos e nos pés das crianças pode se manifestar de diferentes maneiras, desde formigamento e dormência até dificuldade para perceber dor, temperatura ou a posição dos membros.
Quando esses sinais são persistentes ou aparecem junto com alterações de equilíbrio, marcha ou força, é importante investigar a possibilidade de uma neuropatia sensitiva ou de outras condições que possam afetar o sistema nervoso periférico.
Observar mudanças no comportamento e nas habilidades motoras da criança pode ajudar os pais a perceber sinais que ela ainda não consegue explicar. Diante de sintomas persistentes ou progressivos, a avaliação com um neuropediatra é o melhor caminho para compreender o que está acontecendo e definir a investigação adequada, por isso, não deixe de marcar uma consulta com seu neuropediatra de confiança.